Permacultura e
Conservação da natureza
Criar raízes, colher o futuro: permacultura, arquivo de sementes vivas e vida autossuficiente
O Alentejo é agreste, maravilhoso – e, em termos climáticos, um verdadeiro desafio. Quem aqui se limita a atirar sementes para o solo seco e espera pela chuva já está perdido. Os verões são secos durante meses, o sol aquece a sério em julho e agosto, e a água escasseia cada vez mais de ano para ano. A nossa resposta a isso é, no entanto, tão simples quanto genial: permacultura combinada com um design paisagístico inteligente.
Permacultura no Alentejo:
Assim, Permacultura Para que isto funcione realmente, temos de moldar a paisagem. Trabalhamos, por exemplo, com os chamados „swales“ – valas de drenagem que seguem exatamente as curvas de nível do terreno. Quando caem as chuvas de inverno, raras mas frequentemente intensas, este sistema retém a água. Esta já não corre inutilmente para o vale, levando consigo solo valioso, mas sim infiltra-se lentamente e em profundidade no solo. Ao mesmo tempo, trabalhamos com camadas extremamente espessas de cobertura morta, que protegem o solo da luz solar direta, impedem a evaporação e, através da decomposição, formam novo húmus.
O nosso arquivo vivo: Por que é que as sementes têm de ser plantadas na terra e não guardadas num cofre
Não se preservam sementes guardando-as em silos escuros e refrigerados. As sementes estão vivas. Se não forem cultivadas regularmente, perdem a capacidade de germinação ao fim de poucos anos. É por isso que cultivamos variedades históricas de frutas e legumes, resistentes ao calor, diretamente nos nossos terrenos. São precisamente as antigas variedades portuguesas de conservação que, ao longo dos séculos, aprenderam a sobreviver com pouca água e sob sol intenso. Submetemo-las conscientemente a estas condições adversas, colhemos os exemplares mais resistentes e recuperamos as sementes.
Da quinta para a mesa: frescura sem compromissos como conceito de saúde
No nosso restaurante vegan, o que chega ao prato é exatamente aquilo que cresceu na terra, a poucos metros de distância. O conceito „Farm-to-Table“ já há muito que deixou de ser um tema de nicho – pioneiros como Dan Barber, com o seu Blue Hill at Stone Barns em Nova Iorque ou o lendário Noma Em Copenhaga, revolucionaram a gastronomia internacional. Provaram que a regionalidade radical é o único caminho para um sabor autêntico e inigualável.
O nosso objetivo é trazer de volta estes tesouros para os pratos e para as hortas particulares. Não faz sentido que em todos os jardins cresça o mesmo tomate vermelho e aguado, proveniente de embalagens grandes de híbridos F1. Queremos recuperar a diversidade. Verdadeiros Economia circular Começa com as sementes.
Deixar espaço à natureza: proteção da natureza e reflorestação
Não exploramos estes 85 hectares até ao último recanto. Deixamos, deliberadamente, grande parte das terras à sua sorte. Conservação da natureza em Portugal é uma questão premente, e damos o nosso contributo ao definir terrenos baldios intocados como zonas de proteção absoluta para animais selvagens, insetos e aves. Nos locais onde o solo foi prejudicado por monoculturas anteriores ou pelo sobrepastoreio, intervimos através de medidas específicas Renaturalização um. O Reflorestação Com espécies de árvores autóctones e resistentes à seca, estabilizamos o ecossistema a longo prazo. Hoje plantamos uma floresta cujo pleno esplendor talvez já não venhamos a ver — mas que é essencial para a sobrevivência das gerações futuras.
Partilhar o conhecimento: o poder da comunidade nos nossos workshops práticos
Queremos que essa chama se espalhe. Nas nossas formações e workshops, partilhamos todo o nosso conhecimento prático sobre jardinagem biológica. Vais aprender na prática como funciona uma verdadeira cultura mista, como é possível regular as pragas de forma totalmente natural através da escolha correta das plantas e como construir o teu próprio jardim, desde o início, de forma resiliente às alterações climáticas. Damos-te as ferramentas para uma vida autossuficiente – mas a verdadeira ideia por trás disso é ainda muito maior.
Quando uma única pessoa começa a alimentar-se com os produtos da sua própria horta, isso é um excelente primeiro passo. No entanto, se partilharmos este conhecimento e, de repente, centenas ou milhares de pessoas começarem a cultivar de forma a preservar os recursos, surge uma força tremenda. Em massa, temos o poder de mudar verdadeiramente o sistema. Cada metro quadrado que é transformado, a nível privado, num pequeno ecossistema funcional, subtrai-se à agricultura industrial. Isso significa: solos menos empobrecidos, ausência de pesticidas nas águas subterrâneas e o fim de trajetos de transporte desnecessários. Alimentamo-nos coletivamente de forma mais saudável, os nossos corpos recebem finalmente de novo a densidade nutricional verdadeira e genuína de que necessitam e, de passagem, protegemos enormemente o nosso ambiente. A verdadeira mudança começa no canteiro da tua casa – e acaba por transformar a forma como nos alimentamos enquanto sociedade.
„O que comemos e a forma como os nossos alimentos são produzidos podem, literalmente, mudar o mundo.“ – Kenneth Keavey